Por um preço justo para o Leite

O leite é um dos alimentos mais completos que existe na natureza, do ponto de vista nutricional, pois contém a maioria dos nutrientes fundamentais de uma alimentação saudável, que por si só reforça a importância desse alimento para a saúde humana. Muito interessante seria se os preços dos alimentos fossem estabelecidos de acordo com o seu valor nutritivo, protéico ou energético. Dessa forma já imaginamos que o leite ganharia em disparada, quando comparado com outros alimentos.

Com base nesse princípio, o pesquisador Michael Griffin, da FAO, fez um interessante estudo comparando o preço do leite, bebidas de cola (refrigerantes) e suco de frutas. De acordo com seus resultados, o valor do leite deveria ser bem superior ao das outras bebidas comparadas, por conter mais proteína, gordura, minerais, açúcares, vitaminas, energia e sólidos totais.

Seguindo essa linha de raciocínio, extrapolando esses valores para nossa realidade local, fizemos uma comparação com os preços médios atualmente praticados no comércio em Goiânia/GO, e acrescentamos à lista, mais dois produtos que hoje disputam mercado com o leite, uma bebida a base de soja e a água de coco industrializada. Então chegamos aos seguintes valores, conforme mostra a tabela abaixo.

Tomando como exemplo o valor encontrado para a energia (Kcal/litro) do refrigerante de cola, já que se trata de um dos produtos com menor valor nutritivo dentre os listados e que não possui minerais e proteínas, concluímos que o consumidor paga, voluntariamente, porém influenciado por todo um aparato de publicidade, a quantia equivalente a R$ 0,0125 por caloria. Logo, se fosse pagar por 800 calorias, que é a quantidade contida em um litro de leite integral, desembolsaria exatamente R$ 10,00 por litro.

Temos como comparação o preço do leite na gôndola do supermercado e o preço pago ao produtor, que gira historicamente entre 30 e 40% do valor do primeiro. Partindo desse raciocínio, o preço pago ao produtor hoje, deveria ser entre R$ 3,00 e 4,00 o litro.

É um assunto bastante polêmico e que gera muitas discussões, desde o disparate da comparação do preço de um litro de leite com um de água mineral, que muito indigna os produtores, até os preços dos combustíveis (etanol, gasolina e diesel) que entram em seus custos de produção, sempre custam mais que o valor do leite ao consumidor final.

Conjeturas a parte, a principal lição que podemos tirar dessa comparação é que para a atividade como um todo continuar progredindo, faz se necessário cada vez mais união da classe produtora, através de suas entidades de classe, juntamente com toda cadeia produtiva do agronegócio do leite unir esforços para enfrentar os desafios. Também podemos concluir que a concorrência atualmente, não se trata apenas de ser entre o produtor A ou B, entre o laticínio X e Y, mas com todos esses produtos listados e outros mais que disputam suas fatias no mercado.

Qualidade, inovação, ações agressivas de marketing, deverão ser suas preocupações constantes, pois a concorrência com outros produtos é cada vez mais acirrada pela preferência do consumidor.

Por Enaldo Carvalho
Postado em 09/08/2010 – MilkPoint 

 

 

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